Reconstrução de Mamas

O PROCESSO

Existem muitas decisões e escolhas envolvidas no processo de reconstrução mamária, mas talvez a questão mais importante seja: “A reconstrução de mama é para mim?”. Para milhares de mulheres que sobreviveram ao câncer a resposta é sim. Nem toda a mulher que realizou uma mastectomia ou quadrantectomia ou, ainda, outra cirurgia para tratamento de câncer de mama, sente a necessidade de reconstruir a mama, mas para muitas, essa é uma importante parte da recuperação. Atualmente, existem muitas opções de reconstrução de mama, assim, quanto mais você souber sobre como poderá ser realizada sua reconstrução, melhor decisão você poderá tomar.

Reconstrução de mama no tratamento conservador do câncer de mama:

O tratamento conservador do câncer de mama difere do tratamento radical (mastectomia) no que diz respeito à manutenção do tecido mamário, com isto, se ganha em qualidade de vida e em reconstrução do corpo. Porém, sua indicação dependerá da possibilidade de se realizar um tratamento adequado do ponto de vista dos tratamentos do câncer e, isto quem irá decidir será o mastologista.

Esta modalidade inclui desde uma biópsia da lesão, até uma quadrantectomia, podendo, também, sua reconstrução variar de técnicas simples até técnicas mais complexas, como no tratamento radical do câncer (mastectomia).

Deve-se lembrar de que a melhor forma de tratamento é aquele planejado. Assim, sempre que se planejar uma ressecção oncológica de uma lesão mamária, se deve ter em mente uma reparação adequada. A reconstrução mamária é hoje considerada parte do tratamento do câncer de mama, pois dessa forma, se consegue, além de um melhor resultado estético, uma melhor resposta emocional da paciente.

TÉCNICAS CIRÚRGICAS

As técnicas para reconstrução da mama variam, dependendo fundamentalmente da quantidade de tecido removido e de sua localização. As mais utilizadas são aquelas que fazem uso dos próprios tecidos da mama que, com o seu reposicionamento, preenchem os espaços vazios causados pela retirada do câncer, estes são os chamados retalhos locais, associados ou não, à mamoplastia. Frequentemente, para se conseguir uma boa simetria entre as duas mamas, recomenda-se realizar a mamoplastia da mama contralateral, obtendo, assim, um melhor resultado estético das mamas.

Nos casos de ressecções maiores (quadrantectomias, por exemplo), sem possuir tecido suficiente na própria mama para se realizar a reconstrução, lança-se mão da utilização de retalhos à distância ou da utilização de implantes mamários (mais detalhes no item a seguir, reconstrução de mama pós-mastectomia). Nestes casos, apesar de serem ainda chamados de tratamento conservador do câncer de mama, utilizamos as técnicas empregadas nas mastectomias, pois com elas alcançamos melhores resultados estéticos da mama reconstruída.

RECONSTRUÇÃO DE MAMA PÓS-MASTECTOMIA

Escolhendo a reconstrução de mama, lembre-se que a equipe médica pode te dar recomendações e a família pode contar o que pensa, mas somente você poderá tomar a decisão do que é certo para você. Atualmente, a maioria das mulheres que realizaram mastectomia eram boas candidatas à reconstrução mamária.

Após a mastectomia, muitas mulheres sentem uma falta de um todo ou a perda da feminilidade ou, simplesmente, não querem a sensação ou a preocupação de se utilizar uma prótese de mama externa. Independentemente da razão da reconstrução, a decisão de toda mulher é diferente e precisa ser pessoal, baseada em suas necessidades, desejos e expectativas. Não esqueça que toda a reconstrução de mama é realizada em diversas etapas cirúrgicas. Como cada paciente e procedimento são diferentes, o número de cirurgias e o tempo de recuperação podem variar.

OPÇÕES DE RECONSTRUÇÃO DE MAMA

A primeira decisão a tomar é se a reconstrução deverá ser realizada no mesmo ato cirúrgico da mastectomia, reconstrução imediata, ou se deverá ser postergada e realizada meses (ou até mesmo anos) após a mastectomia, reconstrução tardia. Você, o cirurgião plástico e o mastologista, poderão decidir juntos a melhor opção. O tipo de reconstrução mamária para você dependerá bastante de sua situação médica, das formas da sua mama, do seu estilo de vida e de seus objetivos.

A reconstrução pode ser realizada por diversos métodos, utilizando tecidos do corpo da própria paciente, utilizando implantes mamários e, também, utilizando uma combinação dos dois métodos. Independentemente do método escolhido, as cirurgias subsequentes deverão ser realizadas afim de se conseguir uma melhor simetria além da reconstrução do complexo aréolo mamilar.

RECONSTRUÇÃO DE MAMA COM TECIDOS PRÓPRIOS

A reconstrução com retalhos pode ser realizada com os tecidos da região do dorso ou do abdômen. O retalho, por sua vez, é um tecido que foi retirado de uma região do corpo e levada para outra, permanecendo preso ao seu lugar original por um tecido chamado pedículo e que, por meio dele, chega à vascularização necessária para que este tecido, mudado de lugar, não morra. O retalho é levado à região mamária através de um túnel abaixo da pele, mantendo-se o suprimento sanguíneo do tecido na sua origem, é chamado de retalho pediculado. Enquanto esta técnica proporciona resultados bastante razoáveis, ela requer regiões doadoras dos tecidos com tecido gorduroso mais farto.

As cirurgias longas deixam maiores cicatrizes e, como todo procedimento cirúrgico, nem sempre tem sucesso. Além disso, requer internação mais prolongada e um tempo de recuperação maior. No entanto, a cirurgia com retalhos tem a grande vantagem de repor tecidos no tórax que podem ter sido retirados ou danificados (como a radioterapia) e, neste caso, não poderiam ser utilizados para reconstruir com expansores de tecidos. A reconstrução mamária com retalhos é mais comumente realizada utilizando-se de dois métodos: retalho do músculo grande dorsal, no qual pele, tecido subcutâneo (gordura) e músculo grande dorsal são levados através de um túnel da região dorsal até a região da mama; retalho TRAM, no qual pele, tecido subcutâneo (gordura) e músculo reto abdominal (um ou os dois) são levados através de um túnel até a região da mama.

RETALHO DO MÚSCULO GRANDE DORSAL

Uma ilha de pele e músculo (músculo grande dorsal) é retirada da área doadoras da região dorsal. O tecido é tunelizado até a região da mastectomia e usado, então, para criar uma “nova mama”. Um implante também pode ser utilizado nestes casos, quando o tecido não for suficiente para criar esta réplica. Como este retalho é menor e mais fino que a o retalho do TRAM, geralmente é utilizado para reconstruir mamas pequenas, mesmo que se utilize um implante associado.

Este procedimento leva, geralmente, de três (3) a cinco (5) horas de cirurgia, sendo que o paciente permanece no hospital de dois (2) a três (3) dias. O retorno à maioria das atividades ocorre em torno de duas (2) e três (3) semanas. Pode ocorrer perda temporária ou definitiva da força muscular e dificuldade com a movimentação do dorso e ombro. A cirurgia resulta em uma cicatriz no dorso horizontal que pode ser escondida pelo sutiã ou roupa de banho, além de outras cicatrizes na mama reconstruída.

RETALHO TRAM

Neste procedimento o cirurgião remove os tecidos da parte inferior do abdômen (pele, tecido subcutâneo e músculo reto-abdominal), situada entre a cicatriz umbilical e a parte superior do púbis, e os leva através de um túnel até a região da mama a ser reconstruída. Nesta cirurgia a paciente precisa ter algum tipo de sobra de pele no abdômen, caso contrário não é possível realizar.

É uma cirurgia que além de reconstruir a mama melhora a aparência do abdômen, no entanto, pode haver fraqueza muscular abdominal devido à retirada do músculo. É uma cirurgia que leva de quatro (4) a seis (6) horas, e, geralmente, requer de duas (2) a três (3) dias de internação hospitalar, e a recuperação é de três (3) a quatro (4) semanas para a maioria das atividades. As cicatrizes resultantes serão na mama reconstruída e no abdômen inferior (cicatriz horizontal e ao redor da cicatriz umbilical).

RECONSTRUÇÃO MAMÁRIA COM IMPLANTES DE MAMA

Estas técnicas são utilizadas quando não se pode ou não se deve utilizar, por qualquer razão, uma das técnicas anteriores com retalhos musculares.

TÉCNICA COM EXPANSORES DE TECIDOS

Um dos métodos de reconstrução mamária utiliza o expansor de tecidos e o implante mamário propriamente dito, sendo utilizado quando não se tem pele suficiente para se colocar um implante abaixo e se obter um formato adequado da mama. O expansor de tecidos é um tipo de implante temporário semelhante a um balão, com um tipo especial de válvula que a paciente usa. Ele é colocado vazio, geralmente abaixo da pele e do músculo da parede torácica e, gradualmente inflado com uma válvula com soro fisiológico. Este tipo de reconstrução têm duas partes:

- A expansão do tecido: durante a mastectomia ou depois, coloca-se o expansor. Após alguns dias, inicia-se a expansão com soro fisiológico através de uma pequena punção com uma agulha fina na válvula colocada. Com isso, a pele vai expandindo (como a pele do abdômen durante a gravidez) até alcançar um tamanho semelhante à mama que se deseja reproduzir. Estas expansões costumam ser semanais. Ao final de algumas semanas, tem se criado um envelope que servirá para a colocação do implante definitivo. É um procedimento que leva de uma (1) a duas (2) horas para ser realizado e permite que a paciente retorne as atividades normais em duas (2) ou três (3) semanas.

- A colocação do implante definitivo: após a remoção do expansor de tecidos é colocado o implante definitivo que poderá variar de tamanho e forma em função da expansão alcançada e da forma desejada, sendo geralmente de silicone gel ou semissólido. É uma cirurgia que leva em torno de uma (1) a duas (2) horas, geralmente realizada sob anestesia geral e necessitando uma breve estada hospitalar (cerca de um dia). O retorno às atividades normais ocorre em duas (2) ou três (3) semanas.

TÉCNICA SEM EXPANSORES DE TECIDOS

Neste caso se realiza já na primeira cirurgia a colocação do implante definitivo no local desejado. Esta técnica é restrita aos casos de mastectomia em que não é retirada grande quantidade de pele, desta forma o envelope cutâneo é suficiente para se colocar o implante e se dar uma boa forma à mama reconstruída. Geralmente, é realizado no mesmo ato cirúrgico do tratamento do câncer.

ETAPAS FINAIS

Após a etapa de reconstrução da mama, seguem-se as etapas de refinamento que consistem na simetrização das mamas e a reconstrução do complexo aréolo mamilar.

SIMETRIZAÇÃO

Nesta nova cirurgia, busca-se melhorar ainda mais o contorno da mama reconstruída e torná-la mais parecida com a mama contra lateral. Geralmente, são procedimentos que exigem uma breve estada no hospital e de repouso pós-operatório, podendo retornar as atividades normais em duas (2) ou três (3) semanas.

RECONSTRUÇÃO DO COMPLEXO ARÉOLO MAMILAR

Esta última etapa cirúrgica reconstrói o complexo aréolo mamilar (CAM) e, com isso, faz com que as mamas fiquem ainda mais parecidas. A sua reconstrução é realizada sob anestesia local e não requer afastamento das atividades normais. Geralmente, o mamilo é reconstruído com a pele do próprio local e a aréola com enxerto de pele da região inguinal. Apesar do resultado da reconstrução ser bom, quando a realizamos, não se restabelece a sensibilidade da aréola nem do mamilo.

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